Pensar sustentável!
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A construção ou reabilitação sustentáveis não são um exclusivo da  arquitectura. São também um compromisso do lado da engenharia! Aqui ou até na ocupação dos edifícios, a sustentabilidade ganha-se quando conseguimos, em todas as fases do processo, minimizar o impacto ambiental das nossas escolhas. Depois, há que clarificar os vários contributos e conceitos, como o ecodesign e a eficiência energética nas soluções construtivas.

 

Falar em construção sustentável é hoje quase uma banalidade. Mas muitas vezes confundem-se conceitos, misturam-se contributos e perde-se o essencial. Sabemos que a sustentabilidade já não é um conceito abstracto e algo futurista que queria dizer quase tudo e coisa nenhuma. Já sabemos que sejam quais forem os caminhos a seguir em direcção ao progresso, o crescimento económico e o desenvolvimento social têm que respeitar a ordem ambiental. Na concepção, construção ou reabilitação de edifícios, a sustentabilidade ganha-se quando conseguimos, em todas as fases do processo, minimizar o impacto ambiental das nossas escolhas. Esta visão ou preocupação terá de ser transversal e estar presente em todos os momentos. Demasiado simples, mas demasiado difícil de concretizar. É este o pressuposto base da sustentabilidade e se, em algum momento, o perdemos algures entre a concepção, a arquitectura, a engenharia, nas escolhas do materiais e até na forma como interagimos com o edifício e o ocupamos, todo o processo fica comprometido. É este o âmbito e a missão da arquitectura sustentável. É este o seu compromisso. Mas para termos um edifício sustentável não chega o compromisso do lado da arquitectura. Ele de nada serve se não estiver em sintonia perfeita com a engenharia, os sistemas, os materiais e as tecnologias. Sim, a sustentabilidade não é um exclusivo da arquitectura. É também um compromisso que tem que ser assumido do lado da engenharia!

Para Manuela Almeida (professora na Universidade do Minho e coordenadora do projecto patrocinado pela Agência Internacional de Energia ECBCS Annex 56 - Cost-Effective Energy & CO2Emissions Optimization in Building Renovation), só faz sentido o projecto integrado. “É óbvio que a optimização do desempenho energético de um edifício requer uma abordagem de projecto integrada de modo a minimizar os consumos de energia do edifício e ao mesmo tempo ir de encontro às necessidades e expectativas dos ocupantes. Estratégias como a orientação do edifício conjugadas com as suas características arquitectónicas de modo a minimizar os ganhos solares no Verão e a potenciá-los no Inverno e a maximizar a disponibilidade de luz natural, combinadas com controlo preciso e rigoroso dos sistemas de aquecimento, ventilação, ar condicionado e iluminação, são um bom exemplo de uma abordagem de projecto integrada para optimizar o desempenho energético do edifício. Um projecto integrado analisa e optimiza o edifício como um todo, incluindo as potencialidades oferecidas pelo espaço envolvente e para todo o seu ciclo de vida”. Nesta linha, “isto significa que os arquitectos, os engenheiros das várias especialidades, como mecânica, civil, especialistas em climatização e energia, e instaladores devem trabalhar juntos em equipas multidisciplinares logo desde a fase inicial do projecto”. No entanto, esta não é a prática corrente nos diversos países europeus. O normal é existir um processo de concepção fragmentado, onde cada um dos intervenientes entra numa fase do projecto, no qual decisões influentes e condicionantes já foram tomadas, levando em muitos casos a soluções ineficientes, edifícios não optimizados e custos mais elevados dada a necessidade de em alguns casos se introduzirem medidas adicionais de eficiência energética para ir de encontro aos padrões e exigências das mais recentes directivas europeias”, conclui.

Para esta ambição que é a sustentabilidade no edificado são inúmeras as variáveis a ter em conta. Trata-se de cultura que não se esgota na construção dos edifícios. Vai muito mais além de uma etiqueta, uma classificação ou uma marca. Existe uma linha orientadora que, embora subjectiva, é determinante: o conforto e, depois, a forma como utilizamos e ocupamos os edifícios.

Se quisermos conceber ou reabilitar um edifício já sabemos que temos o que fazer em completa harmonia com o ambiente e tirar proveito de todos os contributos do meio envolvente. Este percurso agrega necessariamente vários factores onde as energias renováveis e a eficiência energética têm sido a face mais visível. É deles que se fala quando introduzimos a variável da energia e da sua utilização. Mas existem outros factores. O ecodesign, nomeadamente a concepção ecológica dos produtos que escolhemos para os nossos edifícios, o seu ciclo de vida e as soluções construtivas são aspectos decisivos se quisermos continuar a falar de sustentabilidade. Os revestimentos, as tintas, as madeiras... representam um mundo de escolhas mas a equação é simples: o processo de fabrico ou o seu transporte (que emissões representam), o impacto que têm durante o seu ciclo de vida até à sua destruição, etc. são parte dessas variáveis. Hoje existem ferramentas regulamentares, normas e sistemas de certificação e outros que nos permitem tomar as melhores opções. Do lado dos aspectos construtivos, o isolamento térmico das fachadas, as caixilharias e as janelas são alguns dos exemplos.

Desde logo encontramos diferentes níveis de intervenção e diferentes níveis de contribuição para aquilo que procuramos: construir ou reabilitar de uma forma sustentável. De um lado temos os aspectos que têm a ver com a concepção e construção (ou reabilitação), onde se deve procurar privilegiar as opções passivas com o objectivo de reduzir as
necessidades energéticas dos edifícios. A optimização das soluções construtivas é o primeiro passo para a eficiência energética. Segue-se a implementação das renováveis para dar resposta às necessidades energéticas que temos e só depois deverão ser considerados outras soluções como outros sistemas activos. Deste lado, a forma e a funcionalidade devem convergir para minimizar a utilização de energia mas também promover o conforto dos seus ocupantes. Uma variável inevitável que tem que estar no topo das preocupações e que nem sempre é pacífica, mas já lá vamos. Do outro lado temos os materiais e as soluções construtivas. Acontece que aqui temos uma divisão importante em termos de contributos ambientais: o ecodesign ou os produtos e o seu ciclo de vida reflectem um impacto para o ambiente mensurável através das emissões na fase de fabrico, transporte, etc., mas outra coisa é a contribuição que algumas escolhas de produtos ao nível dos isolamentos, caixilharias, janelas, etc., podem contribuir directamente para a eficiência energética ou para a redução dos consumos dentro dos edifícios. Trata-se de duas áreas de contribuição muito distintas e com funções diferentes neste caminho que é a construção sustentável.

Continuando este processo, não podemos esquecer-nos da primeira motivação que temos, daquilo que procuramos, ou seja, a função dos edifícios. Os edifícios são concebidos ou reabilitados para as pessoas e para que a sua utilização se faça de uma forma funcional, com o máximo conforto e o menor custo energético possível. Idealmente com um custo zero de energia. Mas quando falamos em conforto falamos em conforto ao nível da iluminação, térmico e acústico, variáveis necessariamente subjectivas mas para as quais conhecemos os valores padrão em termos de bem estar e saúde dos ocupantes. E quando falamos em conforto e como raramente conseguimos conquistá-lo apenas com soluções passivas, falamos em utilização de energia e em sistemas. Falamos nas renováveis, nos sistemas mecânicos quando necessário e em eficiência energética. Nesta lógica da sustentabilidade é aqui que nos surge o principal problema. Deixámos de conseguir respostas apenas com a interacção com o ambiente. Tivemos que recorrer aos sistemas activos com impactos reais no meio ambiente. Agora só temos uma solução: minimizar este impacto com o recurso à energia que conseguirmos obter localmente através das renováveis e apertar o botão da eficiência energética para os sistemas e equipamentos activos que lá tivermos que colocar. A este nível o conceito da sustentabilidade nos edifícios coincide com aquilo que agora se procura nos NZEB (Near Zero Energy Buildings).

Em jeito de conclusão, os edifícios serão definitivamente sustentáveis se nos comprometermos a não perder o fio condutor e soubermos jogar de uma forma harmoniosa com todas as variáveis. Se assumirmos todas estas etapas como obrigatórias, minimizarmos ao máximo a utilização de energia e utilizarmos os recursos renováveis. Se formos criteriosos nos materiais que utilizamos e para isso é preciso incutir uma cultura de sustentabilidade nos vários actores e investirmos em conhecimento nesta matéria.

A sustentabilidade, a eficiência energética e o conforto

A partir daqui, todos estes temas têm muito a dizer. A complexidade é grande e a tarefa não é fácil. É importante entender que a eficiência energética surge numa fase adiantada do processo e como um factor quase que reparador aquando da escolha de soluções que necessitamos para as nossas necessidades de energia que não conseguimos satisfazer de uma forma passiva. A eficiência energética é muito importante para atingirmos os nossos objectivos mas ela não pode ser em si mesmo uma finalidade ou um desígnio num mundo edificado que se quer sustentável. Antes da eficiência energética, o desígnio da preservação do ambiente guia-nos por outros caminhos como já vimos. Temos que começar por construir sustentável. Recuperar ou reabilitar sustentável. Para Peixeiro Ramos, presidente da ANPQ (Associação nacional de Peritos Qualificados), se “nos focarmos demasiado na eficiência energética, em vez de na minimização da utilização da energia, corremos o risco de passar a ideia de que se pode fazer tudo o que se quiser desde que se faça do modo mais eficiente, e que isso leva à redução da utilização de energia. Uma ilustração de que isto não é verdade é caso do indivíduo que quer emagrecer, comendo o dobro das batatas fritas com 50% menos de gordura – não poupa nenhuma caloria”. De nada adianta premiar a eficiência energética se estivermos a incentivar o aumento dos consumos. A eficiência energética tem directamente a ver com o rendimento, ou seja, o balanço entre aquilo que investimos e aquilo que gastamos. Importa pois, que antes disso as preocupações estejam na redução da utilização e correctos usos da energia.

Mas importa ainda perceber onde estão as motivações das pessoas, qual o impacto da variável do conforto neste processo e onde podemos actuar e promover a sensibilização dessas pessoas sobretudo ao nível da reabilitação. Reabilitar de uma forma sustentável é possível se continuarmos a não perder de vista o essencial e isso passa também por saber comunicar este desafio. A componente da correcta exploração dos edifícios pelos seus ocupantes é a parte final deste processo e não menos importante que as outras. Aqui, o factor da viabilidade económica das escolhas que fazemos enquanto ocupantes é também um ponto crítico que obriga à máxima clareza nas mensagens que passamos. Temos que ser rigorosos a explicar as vantagens e os contributos nas decisões que as pessoas podem tomar.

João Viegas, investigador do LNEC e especialista na temática da conservação da energia nos edifícios, considera que a promoção da eficiência energética surge como um meio para minimizar os consumos de energia quando se pretende assegurar condições de conforto (em princípio, condições padronizadas para permitir uma harmonização do referencial). Para ele, “a necessidade de se assegurar conforto nos edifícios (nas suas várias vertentes, conforto higrotérmico, conforto acústico, conforto visual - em especial na vertente do ambiente luminoso - e qualidade do ar) conduz com frequência à necessidade de se actuar nas condições ambientais interiores de forma a enquadrá-las numa gama de valores considerados adequados. Com alguma frequência esta acção obriga a incorrer em consumos energéticos significativos, através da ventilação, da climatização ou da iluminação. À luz deste aspecto, a necessidade de se assegurarem baixos consumos tem de ser vista dentro do referencial definido pelas condições de conforto. Por absurdo, se não for necessário garantir conforto, os consumos energéticos nos edifícios ligados ao condicionamento ambiental podem ser muito mais reduzidos. Por essa razão, um dos factores importantes para se reduzirem os consumos reside em utilizar a capacidade de adaptação dos ocupantes a diferentes condições ambientais (envergando a roupa mais adequada para esse ambiente ou interagindo com a envolvente, por exemplo, abrindo uma janela) e assim alargar a gama de condições para as quais se presume conforto”.

A principal motivação das pessoas é o seu próprio conforto. Se tivermos um edifício sustentável mas que não cumpre esta finalidade, de nada serve este trabalho. Se juntarmos a viabilidade económica e fizermos contas, chegamos à conclusão que muitas escolhas, no caso da reabilitação, não são rentáveis se a bandeira for apenas a eficiência energética ou a redução dos consumos. A título de exemplo, as pessoas não vão substituir as caixilharias e janelas a pensar apenas na redução da factura energética. O ponto de retorno não compensa o investimento financeiro em soluções melhores e mais caras em comparações com as soluções tradicionais ou menos eficientes. Demoravam muitos anos a recuperá-lo (no caso das renováveis é diferente, pois aí o retorno é evidente e mais imediato). Vão fazê-lo para melhorar o seu conforto e depois poderão optar pela melhor solução mesmo que mais cara, que ainda permite ganhos de eficiência. É aqui que se deve actuar ao nível da sensibilização e deverá ser esta a mensagem. A opção pelo melhor equipamento deverá estar ligada aquele que é comprovadamente mais eficiente e ecológico. Para João Viegas, “o consumidor admite ter um custo do investimento inicial mais elevado no produto desde que a redução do custo de utilização que daí advém seja compensador permitindo um período de retorno do investimento inicial razoável. Esta simples constatação evidencia que a mera promoção da eficiência energética não deve ser um fim em si mesma, mas antes um aspecto de uma política global de redução dos consumos, dos custos e dos impactos ambientais de todo o ciclo de vida desse produto. Como tal, deve pressupor uma análise prévia de todo o ciclo vida, a constatação de que a fase que se traduz em maiores impactes no consumo de energia corresponde efectivamente à fase de utilização e que os impactes devidos aos consumos energéticos são preponderantes face aos outros eventuais impactos ambientais associados ao ciclo de vida desse produto da construção”.

 

O custo óptimo e a rentabilidade

Falar de sustentabilidade implica considerar a reabilitação e o custo óptimo. Manuela Almeida sublinha que “o sector dos edifícios é considerado essencial no cumprimento dos objectivos 20-20-20 da UE, uma vez que estes apresentam um potencial significativo de poupança de energia em condições que se consideram economicamente rentáveis. Tendo em vista a concretização do grande potencial de poupança de energia nos edifícios, devem ser implementadas medidas destinadas a melhorar o seu desempenho energético que tenham em consideração não só as condições climáticas e locais e o ambiente interior mas também a rentabilidade económica das soluções a implementar. Neste contexto, os requisitos mínimos para o desempenho energético dos edifícios e dos elementos construtivos deverão ser estabelecidos tendo em vista alcançar um equilíbrio óptimo em termos de rentabilidade entre os investimentos efectuados e os custos de energia economizados ao longo do ciclo de vida do edifício. Estes requisitos devem ser cumpridos pelos novos edifícios mas também pelos edifícios existentes sujeitos a obras de reabilitação, uma vez que a actuação apenas sobre os edifícios novos requereria demasiado tempo para se obterem impactos relevantes, dado o reduzido ritmo de substituição do parque edificado. Será, por isso, necessário avaliar no momento actual quais os conjuntos de medidas que permitem converter os edifícios existentes em edifícios com necessidades quase nulas de energia, identificando as combinações de medidas de eficiência energética e de geração de energia de fontes renováveis que, para além de garantirem os objectivos energéticos e ambientais estabelecidos, o consigam com o melhor compromisso entre o custo de investimento e o custo para todo o ciclo de vida do edifício”.

Manuela Almeida acrescenta que “neste tipo de análises não se devem nunca esquecer as necessidades e preferências dos utilizadores dos edifícios. No final são eles que decidem que tipos de intervenção vão fazer nos seus edifícios. E muitas vezes essas intervenções não são motivadas por questões energéticas. Muitas intervenções de reabilitação energética têm muitos efeitos colaterais originando co-benefícios muito relevantes (aumento de conforto, diminuição das patologias, aumento do valor do imóvel) que podem ser tão ou mais relevantes que as potenciais poupanças energéticas alcançadas e serem eles os motores das acções de reabilitação. Tendo em conta o contexto e a realidade nacional, conhecer e tirar partido estes co-benefícios e integrá-los nos processos de decisão pode ser o caminho a seguir para potenciar a reabilitação generalizada do património edificado”.

 

Ecodesign

Já sabemos que os materiais têm um ciclo de vida e que um dia devem ser reutilizados. Desde o seu fabrico até à sua utilização, deverão ter o mínimo impacto no ambiente. Por isso podemos dizer que o ecodesign, as etiquetas energéticas, as obrigações das Directivas, etc., não chegam se nos esquecermos do essencial. Temos várias opções dentro dos produtos que correspondem aos requisitos ecológicos enquadrados na directiva comunitária mas em primeiro lugar as nossas escolhas é que são sustentáveis. Não interrompemos esta cadeia da sustentabilidade se optarmos por produtos locais ou fabricados nas proximidades, por exemplo. Por outro lado, “considerar apenas a vertente da eficiência energética dos produtos da construção na fase de utilização, por exemplo, corresponde a encarar apenas um dos seus impactes durante um período limitado de todo o seu ciclo de vida. A energia incorporada no seu fabrico pode ser suficientemente significativa para reduzir as vantagens que advêm da redução dos consumos energéticos durante a sua utilização. Embora não estando directamente relacionado, este aspecto tem reflexos nos custos, para os quais o consumidor/utilizador final é sensível”, explica João Viegas..

Caixa 1

Ecodesign na lei comunitária

No sentido de reduzir os usos da energia e os seus impactos ambientais, económicos e sociais, a Comissão Europeia tem mostrado uma preocupação acrescida com a necessidade de uma concepção ecológica dos produtos. Assim sendo, publicou em 2005 a Directiva Ecodesign para produtos que consomem energia, estabelecendo um enquadramento metodológico para a definição de requisitos ecológicos mínimos para grupos de produtos que consomem energia. Em 2009, a lei comunitária foi alargada, passando também a visar também os produtos relacionados com o consumo de energia. Aliada ao ecodesign, a informação sobre os consumos energéticos dos produtos tem sido um dos instrumentos para alcançar melhores desempenhos e, minimizar, assim, impactos ambientais. Para isso, publicou-se, em Maio de 2010, a Directiva para a Rotulagem, relativa à indicação do consumo de energia e de outros recursos por parte dos produtos relacionados com a energia, por meio de rotulagens e outras indicações uniformes relativas aos produtos. Corresponde à reformulação da Directiva 92/75/CEE, alargando o seu âmbito “aos produtos relacionados com a energia que têm um significativo impacto directo ou indirecto no consumo de energia durante a sua utilização”. Paralelamente a isto, Bruxelas tinha já lançado, em 1992, uma iniciativa de etiquetagem voluntária, cujo objectivo é ajudar a identificar produtos e serviços com um impacto ambiental reduzido ao longo do seu ciclo de vida – a Ecolabel. Entre as várias categorias de produtos que podem já usar a EU Ecolabel estão as lâmpadas, bombas de calor, tintas e vernizes, materiais para pisos.

 

 

Caixa 2:

O papel da adene

Faz parte da missão da Adene, Agência para a Energia, promover acções de racionalização dos comportamentos energéticos, a aplicação de novos métodos de gestão de energia e a utilização de novas tecnologias. Neste sentido as soluções construtivas encaixam na sua actividade. De acordo com a entidade gestora do Sistema de Certificação Energética e Qualidade do Ar (SCE) nos edifícios, o envolvimento da ADENE na promoção nos aspectos que melhorem o conforto dos ocupantes, “decorre naturalmente da actividade da Agência na certificação energética de edifícios. Desde logo porque esse é um dos enfoques das medidas de melhoria nos certificados energéticos, devidamente hierarquizado como prioridade de estudo pelos peritos qualificados. Além disso, na nova regulamentação térmica que irá sair para o ano, foram revistos os requisitos mínimos e os valores de referência para as soluções construtivas e criado um roadmap até 2020 para reforço desses requisitos”. Segundo a Adene, este roadmap traduz-se na evolução programada dos requisitos de qualidade ou das condições de referência para os novos edifícios e para as componentes do edifícios que sejam intervencionadas. “Significa que parâmetros como o coeficiente de transmissão térmica das paredes e dos vidros, o factor solar dos envidraçados ou as eficiências dos equipamentos energéticos têm alterações programadas, desde já e para os anos de 2015, 2018 e 2020, no sentido de uma progressiva maior exigência que visa tornar os edifícios mais eficientes e aproximá-los do padrão NZEB”.

 

Caixa 3

Edifícios sustentáveis

Luís Bragança, presidente da Associação iiSBE (International Initiative for a Sustainable Built Environment) e professor de Construção Sustentável na Universidade do Minho, considera que “para que os edifícios em Portugal se tornem sustentáveis ainda há um longo caminho a percorrer, embora já se comece a verificar um maior desejo por parte dos consumidores na implementação prática da sustentabilidade na edificação. Em contra-partida, os investidores imobiliários têm vindo a demonstrar maior conhecimento e interesse sobre este tema, razões pelas quais temos vindo a assistir a um aumento do esforço em realizar edifícios sustentáveis, especialmente nos escritórios, espaços comerciais e hotéis. Um edifício sustentável deve melhorar a vida quotidiana das pessoas e minimizar os impactos provocados no meio ambiente. É um imóvel que enfatiza estratégias tecnológicas inovadoras utilizadas no processo de construção, tendo em conta a eficiência da construção e a manutenção da mesma; a (re)utilização de todas as estruturas passíveis de serem aproveitadas, prevendo, sempre que possível, o uso de materiais ecológicos e o bom enquadramento com a envolvente, minimizando choques visuais, ambientais, sociais, reduzindo os custos globais e aumentando o bem-estar dos utilizadores. É apenas pela conjugação de todos estes aspectos que um espaço pode ser reconhecido pela sua sustentabilidade”.

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