Sistema de Etiquetagem Energética de Produtos (SEEP) - Uma nova etiqueta para as janelas
Download PDF

As soluções construtivas são determinantes para o conforto interior. As janelas fazem parte desta equação e interessa incentivar a escolha de produtos mais eficientes. A etiquetagem ajuda a indústria a progredir e a desenvolver um novo mercado.

 

As soluções construtivas, como já sabemos, são factores determinantes para a sustentabilidade dos edifícios e para a redução dos consumos. No caso dos edifícios novos, se isolarmos bem e tivermos janelas tecnologicamente mais eficientes estamos a assegurar um maior conforto e a reduzir as necessidades de aquecimento no inverno e por isso a utilizar menos energia. No caso da reabilitação, a questão está em entender as vantagens das opções que temos. Se substituirmos aquilo que temos por janelas pouco eficientes, isolamos menos e estamos em primeiro lugar a comprometer o nosso bem estar e o nosso conforto. Tal como já referido no artigo anterior, é a este nível que vale a pena actuar e a comunicação tem que ser muito clara. O esforço financeiro entre uma solução tradicional e uma mais eficiente ainda não representa um retorno ao investimento imediato mas as vantagens são evidentes: promove o nosso conforto e é uma boa solução ambiental e financeira a médio prazo. É neste sentido que todos os esforços na promoção de produtos mais eficientes são bem-vindos. Os sistemas de etiquetagem ajudam a indústria a progredir, mas a mensagem a passar tem que ser rigorosa e credível do lado da viabilidade económica e investimento em soluções mais eficientes.

A etiquetagem promove o progresso e é nesta lógica que foi lançada há pouco tempo uma nova Etiqueta Energética de Janelas, no âmbito do Sistema de Etiquetagem Energética de Produtos (SEEP). A ADENE - Agência para a Energia e a ANFAJE - Associação Nacional de Fabricantes de Janelas Eficientes juntaram esforços e lançaram esta iniciativa que “vem permitir aos fabricantes de janelas incorporar valor acrescentado e uma distinção positiva do desempenho da sua oferta, bem como facilitar a comunicação com o consumidor final, potenciando a taxa de substituição de janelas antigas por janelas eficientes”, refere a ANFAJE. Esta recente associação tem como missão “promover o desenvolvimento do mercado das Janelas Eficientes em Portugal, promover a Qualidade e a inovação tecnológica do sector e promover e divulgar as vantagens da instalação de Janelas Eficientes em Portugal”. Nasce aqui claramente um novo posicionamento das empresas fornecedoras deste serviços que vêem na reabilitação associada à eficiência energética um novo mercado a explorar.

Há terreno e a oportunidade. Numa altura de grave crise económica com a falência de milhares de empresas no sector da construção, “as principais preocupações dos fabricantes nacionais de janelas têm que ver com as condições de desagregação acentuada de todo o sector da construção em Portugal. Essa desagregação afecta o sector das janelas porque com um abrandamento forte do investimento privado na construção de novos e na reabilitação de antigos edifícios, com a paragem de investimentos públicos como o programa de modernização das escolas e a ausência de políticas de dinamização de acções locais de reabilitação urbana, não existe mercado para sustentar a actividade dos fabricantes nacionais de janelas. Além disso, apesar das empresas portuguesas estarem a fazer um enorme esforço no sentido da internacionalização, nem sempre é fácil trabalhar em diferentes países com diferentes sistemas construtivos, sobretudo dada a natureza dos produtos, que exigem, normalmente, a sua instalação em obra”, refere João Ferreira Gomes, presidente da ANFAJE. Para o empresário, “este novo posicionamento do sector das janelas na área da Eficiência Energética trará novas vantagens, abrirá novos desafios e novas oportunidades. Novas vantagens porque permitirá promover a importância que as janelas têm enquanto elemento construtivo que pode contribuir decisivamente para a redução dos consumos energéticos dos edifícios. Novos desafios porque ajudará à criação de novos modelos de negócio neste sector, originando o desenvolvimento de novos projectos que facilitem a venda e a comercialização de janelas, entre os quais destacamos a Etiquetagem Energética de Janelas, a par de uma aposta crescente na área da formação instaladores qualificados. Novas oportunidades porque Portugal tem cerca de 3 milhões de fogos com janelas ineficientes dotadas de vidro simples. Neste aspecto, será necessário apostar fortemente na necessidade de substituição de janelas antigas por novas janelas eficientes, criando mais mercado de reabilitação local para todo o sector”. As vantagens são evidentes para este sector e a “etiquetagem energética de janelas vai estar focada, principalmente, nos clientes que pretendem substituir as suas janelas antigas por janelas eficientes. Com a colocação e emissão de uma etiqueta energética, qualquer pessoa pode comparar o desempenho energético e o contributo que cada tipo de janela pode ter para o isolamento térmico e conforto da sua casa”, explica a ANFAJE.

Miguel Calado, director da Rehau, sublinha que a preocupação pela eficiência energética não é nova. Para este gestor tem havido uma preocupação constante, “com o desenvolvimento de sistemas com excelente isolamento térmico. A sua aplicação destina-se quer para a obra nova quer para a reabilitação, com maior incidência neste último. No sector da renovação as caixilharias são um dos produtos preferenciais por parte do consumidor final para reduzir o consumo energético, já que a sua substituição é normalmente rápida e limpa e a percepção de melhoria no conforto e bem-estar é facilmente reconhecida.

Artur Mexia, director técnico e de projectos da Sapa, confirma esta oportunidade: “o mercado da reabilitação tem um potencial de desenvolvimento enorme no nosso país. Tendo sido privilegiada a construção de edifícios de raiz nas últimas décadas, poder-se-á dizer que quase tudo ficou por fazer no domínio da renovação urbana. No sector residencial foram feitas algumas intervenções pontuais em edifícios de habitação social mas basta olharmos para o património edificado no centro histórico das cidades para nos darmos conta da importância de acções de renovação mais profundas. É neste contexto que as intervenções, sobretudo ao nível da recuperação dos vãos luz, poderão ser determinantes para que os espaços ganhem habitabilidade e conforto, sem grandes investimentos. Num ambiente de recessão económica e de fraco poder aquisitivo, investir na componente de reabilitação das caixilharias pode ser visto como um passo lógico, coerente e eficaz no processo de reabilitação global dos edifícios”. Para estas empresas a importância do SEEP é enorme como alavanca para este negócio. “Com a etiquetagem energética dos produtos consegue transmitir-se ao consumidor um nível de informação que lhe permite escolher uma solução que lhe trará mais vantagens ao nível da conservação da energia e da redução da factura da electricidade. A eficiência energética não deve ser vista apenas como uma questão de conforto e poupança pessoal, também deve ter em conta o impacto ambiental e social de contribuir para a preservação do ambiente e para a estabilidade sustentada da economia”, destaca Artur Mexia. Miguel Calado reforça: “ao se classificar a caixilharia em classes energéticas, o consumidor entenderá mais eficazmente a diferença na qualidade dos caixilhos e respectivas diferenças de custos, regulando mais eficazmente o mercado actual da caixilharia. Além disso, a informação contida na etiqueta energética fornece ao consumidor final vários dados, nomeadamente a redução do consumo energético, determinando assim o retorno no seu investimento”. Para este responsável da Rehau, “o SEEP vai mais além do que uma escolha por parte do consumidor final, já que irá implicar uma maior preocupação por parte dos fabricantes na qualidade da caixilharia produzida e na utilização de sistemas de perfis de melhor qualidade e que garantam uma melhor eficiência energética. Consequentemente está é uma contribuição importante para uma redução no consumo energético e na redução de CO2”.

 

Adene explica sistema

A questão mais sensível prende-se com a forma como a metodologia é efectuada e avaliada. Paulo Santos, gestor deste projecto, explica que a metodologia para classificação energética das janelas “foi desenvolvida especificamente para o efeito pelo ITeCons (Univ. Coimbra, www.itecons.uc.pt) e pelo Centi (V.N. Famalicão, www.centi.pt), suportada em normas internacionais usadas para caraterização técnica de janelas e seus elementos. É resultado de um trabalho de investigação muito robusto e inovador a nível europeu, e tem como base as estimativa das perdas de energia, por m2de janelas, no mês mais frio de Inverno e no mês mais quente de Verão. A soma desses valores, que são obtidos para cada janela com base em parâmetros já determinados para a marcação da mesma (coeficiente de transmissão térmica, factor solar e classe de permeabilidade ao ar), é introduzido numa escala que devolve a classe energética na forma de uma letra de G (menos eficiente) a A (mais eficiente). Ao longo do tempo e à medida que o mercado responde com tecnologias cada vez mais eficientes, irão ser definidas classes A+ ou superior, reforçando-se assim a distinção entre produtos. Os factores que tradicionalmente mais levam os consumidores a substituir as suas janelas são a melhoria do conforto e a redução do ruído na habitação. O que pretendemos com a etiquetagem é que o consumidor passe a considerar também a classe energética como indicador da economia potencial de energia associada às janelas, tomando assim decisões mais conscientes e que o ajudam a reduzir a sua factura energética. Se, ao substituir as suas janelas, o consumidor optar por um sistema de classe A em vez de um produto convencional, mais fraco, com um desempenho ao nível de uma classe F, estará a reduzir em 50% as perdas de energia por aquele elemento, com natural impacto em termos de poupança energética”.

 

Caixa:

A Adene e o SEEP

Como surgiu o SEEP, o que é e qual a sua ambição?

Paulo Santos: Depois de desenvolvido e implementado o conceito de certificação energética, onde o edifício é classificado pelo seu desempenho como um todo, queremos agora evoluir para a avaliação dos componentes individuais que afectam esse desempenho, tais como as soluções para a  construção e os sistemas energéticos. Como nos edifícios, a aposta será na etiquetagem energética desses componentes, aproveitando o facto de a etiqueta ser reconhecida como um instrumento eficaz e credível para comunicação da eficiência energética aos consumidores. Foi assim que surgiu o SEEP, como uma extensão natural do SCE e com enfoque inicial nos produtos relacionados com o consumo energético nos edifícios. Mas o SEEP vai mais além do que o conceito convencional de etiquetagem pela Directiva Europeia. Desde logo, o SEEP envolve um registo central das etiquetas emitidas, que nos permite ter um conhecimento detalhado do parque de produtos etiquetados, tanto em número como em características técnicas. Existe igualmente uma verificação da qualidade das etiquetas emitidas, assegurando um controlo efectivo da informação veiculada pelos fabricantes, reforçando assim a credibilidade do sistema. O SEEP inclui também uma vertente de formação dos profissionais que fazem a instalação e a manutenção dos produtos, bem como a criação, na ADENE, de uma unidade de apoio e esclarecimento ao consumidor.

Por fim, um aspecto fundamental do conceito é o marketing e comunicação, que será feito pelo SEEP de uma forma comum e transversal para cada tipo produto, no sentido de promover as soluções mais eficientes. Esse será um benefício claro para os fabricantes, que poderão usar essa base comum para alavancar a sua própria comunicação da marca.

Pretende-se que o SEEP, enquanto sistema de adesão voluntária, passe a ser referência para um cada vez maior número de produtos, como se verificou recentemente para o Aviso 03 – Edifício Eficiente do FEE, em que as janelas têm de ser etiquetadas com classe A ou B. Paralelamente, estamos a trabalhar para que o SEEP abranja um leque cada vez maior de produtos, em subsistemas específicos como , as janelas, os isolamentos, etc.. e que possa também integrar com os produtos já regulados pela Diretiva da Etiquetagem.

 

Qual a  contribuição da Adene para esta área de negócio?

PS: A ADENE, enquanto agência nacional independente, criou o conceito geral do SEEP e vem dinamizando a criação de novos subsistemas, começando pelas janelas, que estará operacional já em 2013. Todo o sistema assenta num modelo auto-sustentável que permite fazer reverter, em benefício comum do próprio sector, a maior parte do valor global obtido por essa via. A ADENE contribui com a sua competência, estatuto e credibilidade para o sistema, tratando de toda a gestão e fiscalização do mesmo e aproximando a industria do mercado.

 

Como está organizado e se processa o sistema?

PS: O SEEP funciona com base numa parceira entre a ADENE e a as empresas de cada sector, representadas através da associação respectiva. No caso das janelas, foi celebrado um acordo quadro entre a ADENE e a ANFAJE, extensível as empresas do sector das janelas, que assim aderem ao sistema, de forma individual. Temos já mais de 60 empresas de janelas aderentes, incluindo todos os principais fabricantes.

A forma de funcionamento é assente numa plataforma informática criada e gerida pela ADENE, na qual as empresas interagem para emitir, de forma remota e expedita, as etiquetas de todas as janelas que produzem para o mercado português. A plataforma é também utilizada para interacção com os organismos notificados que farão os testes de verificação de qualidade das etiquetas e com outros sistemas, como o SCE.

Será também através dessa plataforma que os consumidores poderão obter informação sobre cada etiqueta, cujo número único permitirá aceder à ficha técnica do produto. Pretende-se que exista rastreabilidade total dos produtos e fácil acesso a toda a informação sobre os mesmos, algo que certamente irá potenciar o aumento da eficiência energética e contribuir para o cumprimento dos objectivos comuns nesse âmbito.

ASSINE JÁ
aceito os termos e condições