2019-05-24
Investimento em energia estabiliza em 2018
David Alvito

2018 viu o investimento global em energia estabilizar, após três anos em queda. De acordo com o relatório World Energy Investment 2019, publicado pela Agência Internacional de Energia (AIE), no último ano, houve uma estabilização para pouco mais de 1,8 triliões de dólares de investimento, um valor que se assemelha ao que se passou em 2017.

 

Depois de termos assistido a uma queda nos gastos com o petróleo, muito por culpa da queda do preço do ouro negro entre 2014 e 2016 (em Fevereiro de 2014, andava nos 110 dólares; dois anos depois chegou a custar cerca de 30 dólares), só no último ano esses mesmos gastos voltaram a subir, ainda que à custa da quebra na produção de electricidade a partir de energias fósseis e, também, energias renováveis.

 

Para Fatih Birol, director executivo da Agência Internacional de Energia, “os investimentos em energia enfrentam, actualmente, uma incerteza sem precedentes, com mudanças nos mercados, políticas e tecnologias. Globalmente, o mundo não está a investir suficientemente nos elementos tradicionais para manter os actuais padrões de consumo, nem está a investir o suficiente em tecnologias limpas para mudar o rumo actual. Estamos a criar um futuro de risco”.

 

Segundo o documento publicado pela AIE, os gastos com energia aumentaram apenas 4 %, o que apenas atenua, mas não compensa, os cortes drásticos que se seguiram ao crash do preço do petróleo em 2014, que viu os gastos caírem cerca de 30 %. Ainda assim, os dados revelados pelo World Energy Investment 2019 mostram que este poderá ser um ano de viragem, com o surgimento de novos projectos, apesar de, segundo a AIE, os mesmos tenham ficado “aquém do que seria necessário para atender ao crescimento robusto e contínuo da procura”.

 

Outra das questões apontadas pelo relatório é o pouco investimento público em termos de investigação e desenvolvimento (I&D) em questões energéticas. Em 2018, esse mesmo investimento aumentou de forma modesta, impulsionado pelos Estados Unidos e pela China, mas a maioria dos países não está a investir o suficiente em I&D.

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